Imagem Televisiva e Espaço Político
Olá, pessoas!
O documentário Imagem Televisiva e Espaço Político discorre sobre uma reflexão filosófica de Vilém Flusser a respeito do modo como ocorreu a Revolução Romena em 1989.
Segundo o filósofo, a partir de como se baseou a revolução na Romênia, com a transmissão de imagens televisivas por todo o mundo, uma nova situação na cultura da imagem estaria prestes a acontecer. Ele afirma que através da imagem, o mundo tem um caráter cênico, em que se mostra contextos. Além disso, elas também significam o mundo em que vivemos; mas, dessa forma, elas também o escondem, causando uma alienação muito profunda nos espectadores. A imagem torna-se a realidade, e o mundo é apenas um pretexto. Essa inversão da relação entre o mundo da experiência e o da imaginação é chamado de idolatria. Assim, o filósofo afirma que as imagens são anti-políticas, pois escondem a realidade.
A escrita linear foi inventada a fim de explicar as imagens e abrir a visão do mundo vivido. Na visão cênica, tudo é um acontecimento, que é resultado do acaso e é repetitivo; enquanto na visão processual, tudo é um evento, que tem causa e consequência, não se repete e pode ser racionalmente explicado. A consciência que corresponde à imagem é chamada de mágica-mítica, ao passo que a que corresponde à escrita linear, é chamada política. Dessa forma, a televisão não pode ser política.
A invenção da imprensa fez com que as imagens fossem eliminadas da cultura ocidental e dominadas pela escrita. O auge do desenvolvimento do pensamento político, durante o Iluminismo, foi também a época em que houve o triunfo da escrita linear. Porém, as mensagens tornaram-se cada vez menos imagináveis. E, assim, surgiu a fotografia, tornando imagináveis os eventos em torno de nós. A fotografia transcendeu a história e congelou os eventos em acontecimentos. O problema é que, no momento em que você se distancia da política, o ponto de vista político é perdido, e muitos outros pontos de vista são possíveis, destruindo a ideologia. A ideia era que a imagem deveria documentar a política, mas o que acontecia era que a política era feita para ser capturada na imagem. A imagem que agora faz com que o evento aconteça, como foi o caso da revolução.
O documentário me fez refletir sobre algumas questões:
- Da mesma forma como o ponto de vista político é perdido por meio da fotografia, não ocorreria o mesmo com a escrita, haja vista que nela contém o ponto de vista do autor?
- Qual a relação dessa realidade com as redes sociais?
- A imagem ser o meio de fazer evento acontecer não seria algo positivo, uma vez que abrange um maior número de pessoas envolvidas?
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